Há canções que simplesmente ouvimos. Outras parecem encontrar a nossa própria história. Foi exatamente isso que aconteceu comigo quando conheci "Pela Manhã", composição de Juliana Oliveira, Gideoni Donato, Geferson Kleiton e Bob Jonathan, meu primeiro lançamento pela Bridge Music.
Respirar nunca foi algo natural para mim.
Desde a infância convivi com crises de bronquite, internações e limitações que fizeram parte da minha rotina. Enquanto muitas pessoas nunca precisaram pensar no próprio fôlego, eu aprendi cedo o valor de cada respiração. Mesmo assim, Deus escolheu justamente a música para escrever a minha história. Comecei a cantar aos quatro anos de idade e, ao longo da vida, fui entendendo que Ele tem o hábito de transformar aquilo que parece fraqueza no lugar onde Sua graça mais se revela.
Depois do nascimento do meu primeiro filho, enfrentei um íleo paralítico, uma complicação grave que mudou completamente o rumo da minha vida. Durante a recuperação, surgiu uma embolia pulmonar que me levou ao CTI por um longo período. De repente, respirar deixou de ser um gesto automático e passou a ser uma luta diária.
Naqueles dias, quando o corpo já não respondia como eu esperava, encontrei em Deus o sustento que a medicina não podia oferecer. Ele esteve presente em cada momento, fortalecendo minha fé quando tudo parecia incerto e me conduzindo, passo a passo, até a recuperação.
Por isso, quando ouvi "Pela Manhã", a letra tocou um lugar muito profundo dentro de mim. Ela me fez lembrar das noites difíceis, das orações silenciosas e da esperança que insistia em permanecer viva. Acima de tudo, me lembrou de que Deus nunca me abandonou. Em cada amanhecer, havia uma nova prova da Sua fidelidade.
Gravar essa canção foi muito mais do que interpretar uma composição. Foi contar a minha própria história através da música. Cada palavra ganhou um significado que vai além da melodia, porque nasceu de experiências que vivi e da certeza de que Deus continua presente mesmo nos momentos mais difíceis.
Hoje entendo que o maior milagre não foi apenas continuar respirando. O maior milagre foi descobrir que Deus sustentou cada fôlego quando eu já não tinha forças, transformando a dor em testemunho e a fragilidade em propósito.
Minha oração é que "Pela Manhã" alcance pessoas que estejam atravessando dias difíceis. Que essa canção seja um lembrete de que nenhuma noite é eterna e de que Deus continua agindo, mesmo quando ainda não conseguimos enxergar. Assim como ela encontrou a minha história, desejo que também encontre o coração de quem precisa de esperança para acreditar que um novo amanhecer sempre pode chegar.
Cristina Pinna