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Segunda-feira, 20 de Abril 2026

Artigo

Família: Um plano de Deus

Série de Estudos Bíblicos "Amigo Fiel", pastor Fernando Marques Sá

Pr. Fernando Marques
Por Pr. Fernando Marques
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Família: Um plano de Deus
Família: Um plano de Deus. (Imagem de beate bachmann por Pixabay)
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Fernando Marques Sá[1]

 

            Analisando as informações sobre o número de divórcios é possível constatar que a instituição casamento, em especial o casamento cristão, está sendo bombardeado em todos os lados e o pior, muito dessa artilharia pesada está atingindo o alvo com êxito.

            O ano de 2019 apresentou uma queda 2,7% no número de casamentos em relação ao ano anterior[1]. Quando consultamos, então, as informações sobre o número de divórcios somos surpreendidos com um estonteante aumento durante o período da pandemia no ano passado. Foi constatado um acréscimo de 54% de lares desfeitos[2], no período.

            Infelizmente, esses números estão entrando pelas portas das igrejas como algo normal, decorrente da cultura e da sociedade.

            É claro que em uma relação conjugal sempre haverá três verdades, a saber, a minha verdade, a verdade do outro cônjuge e a verdade dos fatos! Também é notório que relacionamentos são como plantas frutíferas que embora sejam bonitas de se ver, produzam frutos agradáveis ao paladar e forneçam, em geral uma boa sombra para que possamos restabelecer nossas forças, elas também desafiam cuidado diário para que não venham a perecer pela sede, falta de sol ou até mesmo ausência dos nutrientes necessários.

            Analisando a questão sob a ótica bíblica, quer me parecer que o maior motivo dos casamentos, entre cristãos, estar enfrentando uma imensa crise é que deixamos, ainda que inconscientemente, de observar os parâmetros bíblicos para uma relação saudável, longínqua e que, acima de tudo, esteja no centro da vontade de Deus.

            Pensando nesse assunto lembrei-me do Salmo 128 e pude perceber o confronto entre a Palavra de Deus e os procedimentos ditados pela sociedade.

            O Salmista começa afirmando que bem-aventurado aquele que teme ao Senhor e anda em seus caminhos! Bom, bem-aventurado significa feliz, alegre, abençoado, algo que certamente todos nós objetivamos para nossas vidas e nosso relacionamento familiar. A questão, então, é porque existe essa promessa na Palavra de Deus se no mundo real percebemos um aumento do número de divórcios?

            O problema reside no fato de que muitas pessoas deixam de continuar a leitura do salmo e, ao enfrentarem problemas em seus relacionamentos acabam desistindo como se a culpa fosse do casamento e da igreja e não do comportamento individual!

            A bem-aventurança dita pelo salmista está condicionada ao Temor de Deus e ao andar em Seus caminhos.

            Temer a Deus não significar ter medo e se esconder, mas reconhecer que mesmo diante de Seu infinito Poder, Majestade e Santidade, Ele sempre está disposto a nos perdoar (1Jo 1.9). Esse imenso Amor nos fornece, gratuitamente, oxigênio diário (produto esse que em meio a pandemia está mostrando o seu valor, tanto econômico como existencial). Portanto, o Temor ao Senhor está muito mais vinculado a Adoração pelo o que Ele é e faz, do que medo e retração.

            Mas continuando o texto somos informados que devemos temer ao Senhor e andar em seus caminhos. Eis o grande problema!

            A maioria das pessoas ou não sabem o caminho do Senhor para nossas famílias, ou acham que podem analisar e decidir as mais diversas situações através de seu próprio entendimento. Atualmente, algumas das frases mais faladas pelas pessoas são...que mal há nisso? ... eu não vejo nada errado! ...Deus quer a minha felicidade! ... todo mundo tem / faz..., qual o problema?

            Note que se analisarmos esses e outros questionamentos iremos perceber que quem assim procede se coloca na posição de um juiz parcial que observa uma determinada situação, analisa exclusivamente sob a sua ótica e já deixa encaminhado o esboço de sua sentença absolutória pronta. Que mal há?

            O grande problema é que como cristãos a nossa opinião e nosso comportamento devem espelhar o comportamento determinado por Jesus e não pelo mundo ou por nossos sentimentos (Gl 2.20). A bíblia nos ensina que nosso coração é enganoso (Jr 17.9), então, deveríamos pensar várias vezes antes de tomar qualquer decisão pautada tão-somente no que sentimos ou pensamos.

            Querer viver segundo nosso entendimento e se portar segundo o que entendemos movidos pelas diversas ondas sociais, comportamentais ou modismos é a maneira mais rápida de fazer com que as relações familiares sejam dissolvidas.

            Somente se andarmos pelos caminhos do Senhor é que teremos a garantia de recebermos a Sua Bem-Aventurança!

            Mas o salmista ainda deixa claro o comportamento que os cônjuges devem adotar para se construir e manter uma família cristã, feliz, alegre, abençoada e próspera.

            Diz o salmista:

Tua esposa, no interior de tua casa, será como a videira frutífera (Sl 128.  3 – 1ª parte)

            Para uma sociedade que peca por julgar sem antes conhecer os fatos, comparar uma esposa a uma videira, certamente poderia acarretar processo por dano moral, assédio ou discriminação. Contudo, caso venhamos a conhecer o significado de uma videira para o povo de Israel e a cultura vigente quando o texto foi escrito, iremos perceber que longe de ser um insulto, na verdade trata-se de um elogio.

            Cuidado com as conclusões precipitadas e fora do contexto. Veja bem, se no Brasil chamarmos uma mulher de vaca, certamente seremos processados e com toda razão sofreremos as consequências por total falta de respeito em relação ao seu sexo. Porém, se essa afirmação for feita na Índia, muito provavelmente a mulher irá se sentir altamente prestigiada pois, naquele país, a vaca é a personificação de uma deusa. Assim, longe de ofender, na verdade estaríamos elogiando a mulher.

            Portanto, uma vez entendida a necessidade de se conhecer o contexto, é preciso destacar que na tipologia bíblica a videira representa alegria, felicidade, harmonia. Logo, comparar uma esposa a uma videira significa que o salmista estava afirmado que a alegria e felicidade no lar estavam centradas na pessoa da esposa.

             Se você prestar atenção ao versículo, certamente irá verificar que o texto diz que ... tua esposa, no interior de tua casa.... Veja, a Nova Versão Internacional fala ... em sua casa, e a Nova Versão Transformadora traduz como... videira frutífera que floresce em seu lar. Calma, não pense em machismo!

            O texto não está proibindo a mulher de trabalhar, estudar ou ter atividades fora do lar conjugal. Não, o texto NÃO diz isso nem é correta qualquer exegese nesse sentido.

            Então, o que significa no interior, em sua casa ou florescer em seu lar?

            A videira pode dar frutos em todos os lugares, mas o principal, o mais importante, os mais saborosos frutos são aqueles que ela fornece dentro do seu lar. Eis um dos problemas que estão levando o divórcio cristão, as esposas com o anseio de serem reconhecidas profissionalmente, bem-sucedidas e reconhecidas como excelentes profissionais, estão se entregando totalmente às suas atividades e os seus melhores frutos estão sendo colhidos na rua e não no lar!

            Todos, independente do sexo, podem e devem ser profissionais respeitados e competentes, mas em relação aos casados, além da parte pessoal e profissional, deve-se observar, primeiramente a família.

            Por outro lado, a videira é uma árvore frutífera que possui uma madeira frágil, que se não for muito bem sustentada irá tombar com o peso do próprio fruto e, assim, perderá todo seu trabalho.

            Aqui, então, entra a participação do esposo: Você está amparando, sustentando, dando apoio a sua esposa no trabalho, na casa, nos estudos, na educação dos filhos? Lembre-se que se a videira não for acolhida e sustentada de maneira correta os frutos se perderão!

            Note, não se trata de tolher, cercear ou sufocar o cônjuge, mas na verdade de ajuda-lo como sendo uma só carne (Mc 10.7-8). Atente ao fato que eu disse cônjuge, não marido ou mulher, logo, o auxílio deve ser mútuo, contínuo e constante, e todos os assuntos e situações.

            Voltando ao objeto do presente artigo, reparamos no dia a dia que os casais estão tão preocupados em alcançar reconhecimento pessoal e de certa maneira manter a sua independência e liberdade que acabam se esquecendo de que ser uma só carne representa viver uma só história!

            Claro que individualmente continuamos a manter nossa identidade, mas se nossa identidade for verdadeiramente a de seguidores de Cristo, devemos estar sob o Senhorio Dele e não das orientações seculares ou sociais.

            

Que o Senhor te abençoe e te guarde!

Pr. Fernando Marques

Canais de interação: (Facebook) / (@fernandomarques44)

     

[1] Pastor na Igreja Cristã Evangélica do Mandaqui/SP, Bacharel em Teologia, Mestrando em Hermenêutica e Pregação pelo Seminário Betel Brasileiro, Casado, autor de livros sobre vida cristã, jurista.

[1] Registro Civil 2019: número de registros de casamentos diminui 2,7% em relação a 2018 – Acessado em 02/06/21

[2] Divórcios crescem 54% no Brasil após queda abrupta no início da pandemia. – Acessado em 02/06/21

 

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FONTE/CRÉDITOS: Portal Gospel Play, com informações de Pr. Fernando Marques Sá
Pr. Fernando Marques

Publicado por:

Pr. Fernando Marques

Escritor, Pastor da ICEM em São Paulo. Autor dos livros: Ansiedade, O GPS de Deus, Pai de filho depressivo, Mestrando em Hermenêutica e Pregação.

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